Fevereiro de 2004. Recém formada em Letras e primeiro lugar num concurso lá onde o diabo perdeu as botas, com todo gás... muitas aventuras e lembranças inesquecíveis...
Todo dia ...
5 h levanta
5:15 min. checagem de pasta, bolsa ok
5:30 min. Zurb (metrô) São Leo/Porto
6:15 min. Rodoviária
6:20 min. Compra dos bilhetes Porto Alegre/Charqueadas
6:25 min. Engolindo pastel frito de carne e queijo e um café pelando para amenizar o frio.
6:30 min. Ônibus lotado. Passageiras classe A. Um aroma nauseante, mistura das tele-entregas de viandas com colônia da Avon e cigarro impregnado que as belas damas desbocadas entre os causos contados aos 7 cantos torturavam diariamente minha mente.
Um dia desses, umas tiveram a capacidade de fumar sem parar naquele ambiente fechado e apertado. Parecia até fretado especialmente para elas irem ao presídio. Me olhavam desconfiadas. Eu ficava quietinha fingindo dormir. Sei lá o que seriam capazes de fazer... só sei que a barra era pesada. Tanto que neste dia, deu o maior reboliço. Havia um policial da SUSEP e mandou que parassem de fumar. Elas atrevidas e destemidas mandaram ele longe. Ele pegou a arma e disse para parar o ônibus na polícia rodoviária. Baixaram a bola rapidinho, porque com esta ameaça elas perderiam a hora da entrada para visitas. Apagaram os cigarros, mas com muita bateção de boca. “Tu tá te achando...” Pior que por causa do atraso, o ônibus entrou até a entrada do presídio. E eu tinha que estar as 7:30 min. pontualmente no Centro para pegar mais um ônibus que me levasse ao meu destino final: a escola. Ela ficava na área rural, divisa com outro município: São Jerônimo. Leva apenas 15 min. O trajeto, mas a essa altura do campeonato, jesuzinho daí-me força, porque era uma Odisséia.
Dei aula lá por 3 anos, das 7:45 min. às 11:45 min. Depois, começava outra tortura porque na volta, o ônibus sempre estava lotado. Tinha que voltar de pé. Assim como eu, muitos outros colegas faziam este trajeto, um pouco menor porque vinham de Porto Alegre e ficavam no Centro de Charqueadas.
Detalhe, eu começava a dar aula as 14 h em São Leopoldo e as 18 h em Portão – uma cidade distante 30 min. de ônibus. Era mais barato andar de ônibus alguns trajetos. Enfim, chegava em casa as 24 h, tomava um banho, arrumava tudo, beijava meus filhos que estavam dormindo e olhava o caderno deles, para quando após 4 h de sono, começar a rotina.
Teve outro fato durante uma destas idas que me deu medo e ainda bem que foi no último ano. Mas é outra história que conto outro dia.
Detalhe, é a escola que me traz boas lembranças. Um saudosismo meio bucólico.
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