quinta-feira, 25 de abril de 2013

AMOR; SEXO E AMIZADE : crônica 1




                 No passado



ONDINA MORENA



                Ondina era uma menina filha de italianos, nasceu em Muçum, no sul do Brasil. 
                 Muito bela desde o nascimento...Morena, com sorriso sedutor, lábios carnudos em consonância com grandes olhos castanhos escuros e profundo olhar... possuía um brilho tão  intenso que parecia um imã. Seu corpo... seios, pernas, bunda, cintura ... um deslumbrante  espetáculo de movimentos que despertavam os mais duvidosos sentimentos de desejo, inveja ou admiração. Cabelo longo e liso, preto feito a negritude de uma noite sem luar contrastava com sua pele alva feito neve.
               Cresceu ali naquele vilarejo na década de 20, do século XX.
                 Seu destino foi o mar que lhe presenteou 3 vezes. Mas talvez por não ter aceito nascer em forma de sereia, foi castigada. 
Na adolescência, conheceu seu amor que foi o primeiro, o do meio, e último. Formigão, seu apelido. Esse eterno apaixonado marinheiro não foi aceito pelo seu sogro.Também com um apelido desses dá para imaginar o quanto era namorador.  E, ainda por maior desgraça teve que ver Ondina se casar com seu melhor amigo.
              Foram poucos anos de casamento. Tiveram 5 filhos, 3 meninos e 2 meninas. Quando o último rebento nascera, tinha menos de 2 anos, a tempestade da vida chegou... trouxe a má notícia: Mário caiu do mastro, quebrou a perna direita, foi para o hospital, mas não resistira, teve gangrena. 
                A viúva nova, desamparada e infeliz com 5 filhos  decide mudar o rumo de sua vida. Seu sangue italiano fala mais alto... e vai a luta. Muda-se para a capital levando consigo seus filhos. Em Porto Alegre, trabalha por um bom tempo na antiga compania de trem como secretária. Mas diante de tanto assédio sai do emprego e consegue criar seus filhos como costureira. 
               No mercadinho da esquina de sua casa tinha uma conta que pagava sempre ao final do mês. O dono do mercadinho, apadrinhou seu segundo filho mais velho. E, sempre mandava lembrancinhas para Ondina. Um dia ele fica viúvo. E, tempos mais tarde, se casa com sua comadre. O velho marinheiro e a viuvinha.
                 Neste meio tempo, formigão  namora uma menina. Ela fica grávida. Ele fora obrigado a casar. ou casava ou ia preso conforme a lei da época. Ele preferiu ser preso. Pagou a pena. Sua primeira filha nascera. E descobrindo que sua amada estava viúva e morava em Porto Alegre, fora em sua busca. Mais uma vez, seu destino o traiu. Decide casar e assumir sua filha. Acaba tendo mais um filho.
                 A vida de Ondina e formigão mais uma vez caminham em direções diferentes. Mas o amor verdadeiro é eterno.
                 Ondina fica viúva mais uma vez. Desta vez, formigão larga tudo rapidamente e vai em busca de sua felicidade. Consegue o divórcio depois de brigas e batalhas judiciais. Mas ai a vida também já os privou de tantos momentos que poderiam ter sido perfeitos. Estão com  50 anos. Aproveitaram ao máximo entre tapas e beijos o amor que tiveram de esperar tanto tempo para compartilharem.
               Toda vez que brigavam ele voltava pra casa com um frango assado, polenta frita, uma peca de queijo e uma coca cola embaixo do braço e fazendo serenata. Teve um dia, na praia das Pombas, perto do Lami, lindo lugar. Entrava em um portão grande e tinha um enorme canteiro, onde havia muitas pereiras, algumas com caixas de som; em baixo de suas sombras, dezenas de barracas bem equipadas. As famílias iam passar as férias de verão, naquela época iniciava em dezembro e terminava no começo de marco. Faziam churrasqueiras no chão para assar churrasco e peixes em casca de bananeira na brasa. Logo abaixo, atravessando a rua, a areia e a gostosa água doce que se podia nadar o dia inteiro. Bom, mas voltando ao casal... Eles brigaram. Mas ele fora inusitado...chegou com todos regalos de sempre, mas desta vez fez uma declaração de amor na rádio e foi dita no exato momento que chegara diante de Ondina. E o fundo musical de Tim Maia: Me dê motivo... As pessoas pararam naquele exato momento e começaram a aplaudir. Lindo e inesquecível momento. 
Tem mais momentos, mas fica pra outra hora... 
        Ele foi o terceiro marinheiro da vida de Ondina, mas o primeiro e último...único amor de sua vida.





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