domingo, 16 de outubro de 2011

Logosofia


A verdade não dói, o que dói de verdade é a mentira. A verdade nos faz crescer, refletir sobre diversos ângulos de determinado assunto. Começamos a confrontar crenças, dogmas, valores que até então acreditamos ser verdades absolutas, que afinal de contas, são no máximo sempre relativas.
Ser verdadeiro é mais difícil do que ser mentiroso. Ironicamente estes conceitos assumem a posição de seu opositor. Silogismos a parte... a mentira é fruto do medo de ser punido. E, se começássemos a educar as crianças dizendo que se mentirem não serão castigados?! A parte instintiva de ruindade humana, animalesca, perderia suas forças...
O ato de mentir implica muita representação que se o ator for incompetente, sua plateia imediatamente o repulsará. Mas, como todo caso há sua exceção, há casos que o mentiroso pode até acreditar que ganhará um Oscar, mas um bom julgador finge não saber de nada para ver até que proporção a mentira conseguirá atingir, causando tanto mal.
Diante disso, fica a dúvida sobre a verdadeira essência do ser humano... E, nas palavras de Friedrich Nietzsche (Humano, Demasiado Humano) podemos encontrar uma luz:
Porque é que, na maior parte das vezes, os homens na vida quotidiana dizem a verdade? Certamente, não porque um deus proibiu mentir. Mas sim, em primeiro lugar, porque é mais cómodo, pois a mentira exige invenção, dissimulação e memória. Por isso Swift diz: «Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte». Em seguida, porque, em circunstâncias simples, é vantajoso dizer directamente: quero isto, fiz aquilo, e outras coisas parecidas; portanto, porque a via da obrigação e da autoridade é mais segura que a do ardil. Se uma criança, porém, tiver sido educada em circunstâncias domésticas complicadas, então maneja a mentira com a mesma naturalidade e diz, involuntariamente, sempre aquilo que corresponde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugnância ante a mentira em si, são-lhe completamente estranhos e inacessíveis, e, portanto, ela mente com toda a inocência.
Melhor seria sempre praticar  a logosofia.



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