A perfeição é um termo que não é perfeito, pois representa algo que não existe.
Basta olharmos para nosso corpo e veremos o quanto somos imperfeitos anatomicamente falando. Mesmo os que são considerados lindos, também possuem um lado diferente do outro: é o genótipo atuando. Herdamos uma carga genética que não se mistura, mas sim se agrupa. Metade de cada genitor. Um lado do rosto mais oval, enquanto o outro mais quadrado, um lado do corpo mais longo etc.
Em relação à perfeição de caráter, piora, porque somos animais também, apesar de termos a tal racionalidade que muitas vezes deixa a desejar.
Em síntese, todos nós erramos, e a maioria de nós tentamos no decorrer de nossas trilhas não errarmos novamente. É claro que há exceções, mas isso é outro assunto...
Pensamos na perfeição como uma idealização de algo puro, completo, exato. E o que nessa vida o é desse jeito... nada, nada mesmo.
Somos desde criança, ao menos os criados dentro do catolicismo, que tudo relacioando à sexualidade é feio, impuro, pecado. Para sermos perfeitos, não podemos agir de tal forma que vá de encontro aos preceitos do ser Divino que é o único perfeito, imagem e semelhança do homem. O homem cria seus heróis, seus salvadores, seus deuses, para se amparar diante do quadro horrendo que é descobrir que não é nada nesta existência, pois do nada surgiu e para o nada retornarás. Difícil de aceitar tal imperfeição.
E nos relacionamentos queremos nos enxergar no outro, como se fôssemos um exemplar único, uma preciosidade. Meio narcisista esse desejo. Mas ainda bem que com a idade, a maturidade chega para muitos e descobrimos que o amor está acima de tudo, e quem ama tolera os defeitos porque amar de verdade é deixar o outro ser aquilo que sempre foi, e que sabe dividir seu tempo, espaço em nome da felicidade que é viver com sua "cara metade". A perfeição é saber abrir mão de certas coisas (tudo passa, só a existência continua), para que a felicidade entre em nossos corações e ali se instale e de preferência fique até o dia que partiremos.
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