quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O HIPERTEXTO

O hipertexto constitui a base da Internet. Em outras palavras, ao acessarmos um site, por exemplo, escolhemos o caminho que desejamos seguir e, ao clicar o mouse em determinadas frases ou palavras, novos textos nos saltam aos olhos. Esta estrutura textual permite que o leitor, ao escolher a seqüência de leituras, seja co-autor do texto.
Hipertexto é um texto não-linear, sem ponto fixo de entrada e de saída, sem uma hierarquia pré-determinada, sempre expansível e literalmente sem limite. Em hipertexto os comentários dos leitores podem se incorporar ao texto original, como links, de modo que, em última instância, é de imaginar a possibilidade que haja apenas um hipertexto que abranja todas as informações e todo o conhecimento da humanidade.
Foi isso que Vannevar Bush, o criador da idéia de hipertexto (embora não o cunhador do termo, honra que cabe a  Ted Nelson), tinha em mente, já em 1945, quando escreveu o seu antológico artigo "As We May Think": as informações e os conhecimentos da humanidade todos interligados - não só as versões finais, mas as versões penúltimas, antepenúltimas, os rascunhos, os esboços, as anotações escritas em guardanapos de papel, para que pudéssemos apreciar não só os produtos finais, mas o processo de criação, o pensamento em formação, a forma ideal em busca de si mesma. Não só os textos originais, mas os comentários, as críticas, as interpretações dos leitores. Não só textos estanques, mas textos relacionados ("linkados") com outros textos, por sua vez relacionados com outros, numa cadeia de eles de ligação sem fim. Textos em que, como referência, o leitor pode encontrar não apenas o nome de uma outra obra e a indicação de uma páginas, mas o texto da própria obra referida. Foi essa visão que inspirou e ainda inspira Douglas Engelbart a construir o seu "Augment". Foi essa visão que provocou Ted Nelson a sair em busca do seu "Xanadu".
Segundo Pierre Lévy (1993), tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos. Do ponto de vista funcional, Lévy (1993) afirma que um hipertexto é um tipo de programa para a organização de conhecimentos ou dados, a aquisição de informações e a comunicação.
Tanto os nós de que trata Lévy, como os elos que serão apontados a seguir por George P. Landow (1992), são o que chamamos de links ou hiperlinks. O hipertexto pode ser definido também como um documento digital composto por diversos blocos de textos interconectados através de links, que possibilitam o avanço da leitura de forma aleatória. Na Web, cada endereço pode ser compreendido como um nó da rede, e os links podem remeter tanto para outras páginas do mesmo site como também para outro site.
Conforme um glossário sobre termos da Internet, link ou hiperlink é uma conexão, ou seja, elementos físicos e lógicos que interligam os computadores da rede. São ponteiros ou palavras-chave destacadas em um texto, que quando "clicadas" nos levam para o assunto desejado, mesmo que esteja em outro arquivo ou servidor. De acordo com Koch (2005, p.63) “eles permitem ao leitor realizar livremente desvios, fugas, saltos instantâneos para outros locais virtuais da rede, de forma prática, cômoda e econômica”.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


KOCH, Ingedore G. Villaça. Desvendando os segredos do texto. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2005. 168p.

LANDOW, George P. Hipertexto: La convergencia de la teoría crítica contemporánea y la tecnología. Tradução de Patrick Ducher. Barcelona: Paidós, 1992. 284p.

LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: O Futuro do Pensamento na Era da Informática. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. 208p.


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